O “MARACA” NÃO É NOSSO

Antes de falar do Maracanã, devemos questionar se esse estádio de futebol é de fato o Maracanã, ou é somente um estádio novo com a capa do saudoso Maraca.

maracana

O Maracanã que eu conheci era do povo. Não tinha cadeiras, mas degraus cinzentos que permitiam ter um público acima de 100 mil torcedores.

O Maracanã que conheci, em termos estruturais, era feio e sem luxo. No entanto, a sua beleza era temporária e emanava do público que lá estavam com suas bandeiras, os gritos de guerra, as cores dos seus clubes, os fogos e a emoção latente que percorria em todos os estádios.

Feito essa curta reflexão, vem o segundo ponto. O MARACA NÃO É DO FLAMENGO.

É importante ressaltar que o Flamengo fez história no maior palco do mundo, mas não foi o único. Desde 1950 o Maracanã foi o palco sagrado de todos os times do Rio de Janeiro. Inclusive, a força dos clubes cariocas teve como o seu grande aliado o Maracanã, que tinha o poder de engrandecer qualquer clube do Rio de Janeiro em uma grande decisão. Não precisa dizer que a queda da força do futebol carioca coincide com as intervenções no Maracanã, que iniciaram no ano de 2005 de forma drástica com a retirada da Geral.

Em suma, O Flamengo criou uma forte identidade com o Maracanã, no entanto, o Fluminense, Vasco e Botafogo fizeram suas histórias nesse mesmo palco. O vínculo emocional desses torcedores também é forte.

E por isso, temos que entender que o Maraca não é só do Flamengo.

Tendo esse posicionamento, vamos ao próximo ponto.

A gestão do Maracanã será uma das piores decisões da cúpula Rubro Negra.

Não estou falando do aspecto da viabilidade econômica e o retorno financeiro. Mas sim, na questão da identidade.

Em minha opinião, vão se passar 10 anos, e ninguém verá o Maracanã como o estádio do Flamengo. Ao longo dos anos será criada a imagem do clube “rico” que tomou o Maracanã de outros clubes, e por consequência dos cariocas.

O boicote dos clubes cariocas nos jogos dos flamengos no Maracanã é muito provável, e a “solidariedade” de outros clubes no Brasil é inevitável.

Discurso de oportunistas de jornalistas da área esportiva e de sociólogos falando sobre o “fim” do Maracanã e o seu impacto sócio cultural será rotina.

Finalmente, haverá também as enxurradas de ações judiciais que o Flamengo terá que lidar, para defender o seu direito a concessão do Maracanã.

Não adianta a tese que será defendida, de que o Flamengo salvou o Maracanã, e que só o Flamengo tinha condições e competência para manter o estádio vivo. Embora verdadeiro, isso será visto como um discurso egocêntrico.

Solução. Deixei o Maracanã seguir sua vida, o estádio é forte, e ainda tem chances de sobrevivência.

O Flamengo deve construir o seu estádio, e criar uma atmosfera puramente Rubro Negra.

Se o Maracanã, ainda existir, haverá mudanças significativas e prevejo um novo estádio gerido pela iniciativa privada com capacidade para quase 100 mil pessoas. O Maracanã será um pouco mais democrático e, como sempre, disponível para todos os clubes cariocas.

Abraços
Márcio Pereira

Comments

comments

No Comments Yet.

Leave a comment

You must be Logged in to post a comment.